A EPC E A NEGAÇÃO DETERMINADA

  • Autor
  • Manoel Dourado Bastos
  • Resumo
  • Vistos em conjunto, os vetores de estudos praticados no Brasil que se apresentam como Economia Política da Comunicação não constituem uma verdadeira unidade teórica, nem de método ou objeto. Em alguns casos, fica difícil afirmar que o estudo se configura como EPC, pois não remete seus fundamentos a qualquer elemento de identificação com a Economia Política. Isso para não falar daqueles estudos que, habitando diferentes espaços institucionais do subcampo, vivem de atacar sistematicamente quaisquer elementos que indicariam correlação com a Economia Política.

    Mesmo num vetor como aquele constituído em torno da obra de César Bolaño (2000, 2004, 2015), em que é possível reconhecer bastante coesão e que merece ser apontado como uma escola (SANTOS; FIGUEIREDO; BASTOS; no prelo), seus fundamentos teóricos e de método se difundem com diferenças nos resultados. Isso porque a montagem da alternativa marxista às Teorias da Comunicação, que Bolaño buscou expor como EPC, fez-se a partir de duas estratégias metodológicas: derivacionismo e regulacionismo.

    Se é verdade que não se constituem em antípodas absolutos, também não são totalmente convergentes. Foram mobilizadas para lidar com momentos específicos do objeto, do abstrato ao concreto. As pesquisas do vetor Bolaño seguiram principalmente a perspectiva regulacionista não só pela precedência de particularidades num plano mais concreto, mas porque os postulados derivacionistas, além de trazerem dificuldades marcantes dado seu caráter mais abstrato, são dados como imutáveis. Isso gera pesquisas que já não evidenciam as ligações do abstrato ao concreto, ignorando esse aspecto fundamental.

     

    Noutro sentido, o que temos proposto para a EPC (BASTOS, 2019, 2021, 2022a, 2022b, 2023, 2024, 2025; BOLAÑO; BASTOS, 2020) é uma atenção ao caminho dialético que vai da essência à sua aparição, ressaltando que é insuficiente focar na essência sem entender que ela necessariamente visa aparecer. As relações entre aparência e essência são contraditórias. Isso nos leva a reconhecer que a crise não pode ser resumida à equação regulação-crise-regulação, mas resulta de interversões das contradições fundamentais. Atentar para isso exige reconhecer que o mote desta crítica dialética é o trabalho do negativo. Hoje sabemos que as ondas que desembocaram no vetor Bolaño se originam do desdobramento da posição dialética de Adorno nas querelas sobre o positivismo, que levaram à Nova Leitura de Marx e daí à derivação (BASTOS, 2025). Em dois trechos da Dialética Negativa (Adorno, 2009), encontramos as contradições da Indústria Cultural como soterramento do não-idêntico pelo valor de troca – e, daí, uma perspectiva sobre a crise. Esse encaminhamento indica até onde as novas expectativas de dourar a pílula do capital pode nos levar.

     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
  • Palavras-chave
  • EPC, BOLAÑO, ADORNO, DERIVAÇÃO, NEGAÇÃO DETERMINADA
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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